Monday, 4 December 2017

Parabéns à A. e ao M.!



Ele há jantares assim, entre amigos, feitos de alegrias e descoberta de coincidências, de tempos estendidos e risos partilhados, de afinidades curiosas e de prazer suave, mas intenso, no tempo, com a energia contagiante das gargalhadas que se sucedem e dos temas que surgem e saltam em cadência, sem ter fim. Terminamos porque há uma viagem de regresso de uma hora para fazer e amanhã é dia de semana. Mas saímos, como se a interrupção nunca tivesse acontecido e fosse só um "Até já!", ou um "Vou ali e já volto".

É bom estar com quem gostamos.

É bom conhecer o novo rebento dos amigos e ver como dorme e come tão bem.

É bom trazer o presente de Natal (decorações natalícias para o quarto do bebé) quando a Mãe já tinha pensado em comprar algumas, e ouvi-la dizer que a prece dela foi atendida, quando abriu o saquinho a desejar Bom Ano.

É bom ver o ar deliciado da Mãe perante o presente de nascimento do bebé e o ar de surpresa ao presente que se levou para ela ( eu incluo sempre um presente para a mamã).

É bom ver o video de casamento na Indonésia, e nele a elegância dos vestidos confeccionados pela mãe da noiva, o bolo tão bonito confeccionado pela tia, as fotografias e o video feitos pelos amigos, ou a surpresa que a noiva preparou para o marido, ao actuar, por momentos, como maestrina da orquestra contratada.

É bom vê-los a partilhar o bolo, como também se faz na India e já contei aqui.

É bom falar sobre o Maestro Ennio Morricone e o filme A Missão. É bom contar do concerto em Lisboa e de como os jesuítas portugueses utilizaram a música para se aproximar dos indios brasileiros.

É bom ver como a nossa amiga e a mãe dela se emocionam ao escutar Mariza, a cantar Gente da Minha Terra, junto à Torre de Belém, em Lisboa.

É bom também falar de pintura e ver fotografias dos quadros da A.

É bom conhecer os seus gestos de generosidade e a forma como os portugueses têm entrado na sua vida.

É bom ficar para jantar, sem estarmos previamente a contar com isso, e ficarmos na conversa, enquanto o M. e a sogra saem discretamente para preparar a refeição.

É bom descobrir que os amigos que entretanto chegaram para o lanche ficam para jantar também. Amigos que não conhecíamos previamente, e se revelam boa onda, interessados e bem-dispostos. É bom descobrir afinidades com recém-conhecidos como o gosto pela fotografia.

É bom ver como a nossa amiga está tão bonita, elegante e bem-disposta, apesar das dificuldades que passou.

É bom partilhar as nossas histórias, falar das conspirações do Universo, e de santos irlandeses e portugueses.

É bom saber que os indonésios gostam dos portugueses e com eles sentem mais afinidades, como na Ilha das Flores.

É bom partilhar tradicões antigas, como aquela que diz que na Indonésia, dois irmãos não devem casar no mesmo ano e o mais novo antes do mais velho. É bom saber que há uma escapatória a esta segunda tradição, desde que o mais novo vá dando presentes ao mais velho (por exemplo, peças em vermelho), de modo a poder casar antes e "garantindo" assim, ao mesmo tempo, que o mais velho não irá ficar solteiro ( assim reza a crença).

E por fim, é bom trazer para casa um presente feito por ela: uma garrafa daquele sumo que ela me deu a conhecer e faz tão bem à saúde, e que eu já tinha comentado cá em casa que estava a precisar.

É bom estar convosco, A. e M.

Parabéns pelo vosso aniversário de casamento, pelo aniversário do M. e o nascimento do A. !

Votos de um Feliz Natal!




Saturday, 2 December 2017

Zé Pedro


Zé Pedro ( 14 de Setembro de 1956-30 de Novembro de 2017)

Fundador da banda rock Xutos & Pontapés

Hoje, foi o teu funeral. Estou tão triste. E, no entanto, quando me lembro de ti, vem-me à memória aquela miúda de 16 anos que, em 1987, saltava ao som do Circo de Feras, e cantava ( mal, mas a vivos pulmões) Não Sou o Único.

Contigo saltei também com os Contentores e emocionei-me Para Sempre com o Homem do Leme.

Em Portugal, pouco antes de vir para a Holanda, ainda assisti ao espectáculo Sexta-Feira 13, encenado por outro marco da minha vida, o actor e humorista António Feio (1954-2010). Um espectáculo, no Toyota Box, que teve como base  as músicas dos Xutos, que também são as nossas, despudoradamente. E foi como sempre: voltei a pular, a cantar e a emocionar-me outra vez.

Vou sentir falta do teu sorriso, da tua amabilidade, do teu sentido de humor, da tua generosidade na música e na Vida, das tuas brincadeiras em palco, da tua coragem perante os problemas, da forma como te desafiavas a ti mesmo e não te entregavas às dificuldades. Deixas um exemplo, essa força maior.

Entristeci quando soube dos teus problemas de saúde, fiquei orgulhosa quando perante os mesmos mostraste coragem, e feliz quando encontraste o Amor ao lado da Cristina Avides Moreira.

Fizeste-me pular e dançar bastante, meu querido, desdes os tempos do Liceu até hoje, quando danço em frente ao espelho do meu quarto. Fica, Para Sempre, essa imensa alegria. E o teu eterno sorriso.

Obrigado por tudo e por tanto. Tenho tanta pena que tenhas partido. Descansa em Paz.

Numa próxima ida a Portugal, a ver se compro o livro que a tua irmã escreveu sobre ti.

Deixas saudades, sabias?






Sozinho na noite 
Um barco ruma para onde vai. 
Uma luz no escuro brilha a direito 
Ofusca as demais 

E mais que uma onda, mais que uma maré
Tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade
Vai quem já nada teme, vai o homem do leme

E uma vontade de rir, nasce do fundo do ser
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir
A vida é sempre a perder

 No fundo do mar
Jazem os outros, os que lá ficaram
Em dias cinzentos
Descanso eterno lá encontraram

E mais que uma onda, mais que uma maré 
Tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade 
Vai quem já nada teme, vai o homem do leme 

E uma vontade de rir, nasce do fundo do ser 
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir 
A vida é sempre a perder 

No fundo horizonte 
Sopra o murmúrio para onde vai 
No fundo do tempo 
Foge o futuro, é tarde demais

Fica a entrevista que a tua amiga de infância, a jornalista Ana Sousa Dias, te fez.




E uma canção do teu grande amigo Jorge Palma, que eu tanto admiro e gosto.


 


Friday, 24 November 2017

Loving Vincent



Um filme que é em si mesmo uma obra-prima.

Vimos esta noite, na biblioteca, com um casal amigo.



Um carta que acaba por conduzir à procura dos acontecimentos que levaram à morte de Vincent van Gogh, a 29 de Julho de 1890, em Auvers-sur-Oise...

As personagens principais...

Vincent van Gogh ( o pintor)

Theo van Gogh ( art dealer e  irmão do pintor. Theo financiou Vincent e era muito seu amigo)

Père Tanguy ( art dealer, que vendia quadros de Van Gogh e também foi pintado por ele)

Marguerite Gachet ( a filha do médico homeopata que o tratava e que Van Gogh pintou por diversas vezes)

A família Roulin , com destaque para Armand Roulin e Joseph Roulin (amigos do pintor, residentes em Arles, e também pintados por Vincent)

Adeline Ravoux ( filha dos donos do Auberge Ravoux,  em Auvers-sur-Oise, hoje conhecido como a Casa de Van Gogh, por o pintor ter vivido lá nos últimos 70 dias da sua vida; Adeline também foi pintada por Vincent).


Happy


Muito obrigada a todos pelas mensagens de Feliz Aniversário que me fizeram chegar,  bem como pelos postais carinhosos e lindos presentes.

Estes dias foram muito bons. Queríamos e precisávamos mesmo de descansar. Verdadeiramente, sem obrigações.

Um grande beijinho e forte abraço!



Tuesday, 7 November 2017

Sobre um fotógrafo holandês



Gert Jan Hermus por João Menéres.

Site do fotógrafo: https://gertjanhermus.nl/

Fotografia de Rua por Gert Jan Hermus




The girl is back in town


O sol vai alto e morno no céu, nestas manhãs mais luminosas que se desvanecem em tardes cinzentas e frias, e que abrigo já, em meias opacas e nos casacos compridos favoritos de sempre. O corpo tem andado sonolento, mole, naquela fase em que me sinto como um urso a querer hibernação. Às vezes, as pálpebras quase fecham sobre os livros de holandês (voltei aos estudos, desta vez na Volksuniversiteit). Arrebito mais, quando chega a minha vez de ler em voz alta, no Clube de Leitura, pois gosto de dar vida às personagens. Mas nada de preocupações: o corpo está bem e recomenda-se. Isto é mesmo só do tempo. No Fitness, aumentámos as intensidades e o número de máquinas. E o Yoga continua a deixar-me nas nuvens. Desde o dia 19 de Outubro, que não tenho uma única dor ou moinha. A médica, no passado dia 2, ficou satisfeitíssima com os resultados do exame e até me mostrou os gráficos. Agora era aproveitar, pois já não iria necessitar de nova cirurgia, como receávamos. Ao ver o seu entusiasmo, disse--lhe que tinha ido dançar temas dos anos 70 e 80, ao meu café preferido da cidade, e que tinha corrido tudo bem (zero dores na zona onde o dreno esteve localizado tantas longas semanas). E acrescentei que tinha andado a comprar saias. Porque já as posso vestir. E um par de sapatos para um casamento a que vamos em breve. Entretanto, dias depois da consulta, um convite para almoçar na estação central de Utreque, agora totalmente remodelada e com uma loja da marca portuguesa Parfois. Bem giro, o novo centro comercial. Ainda hei-de voltar esta semana com uma amiga, com quem é um prazer estar e me rio muito. E acolhe os meus choros, quando necessário também. Ando numa fase de libertação do que vivi ao longo dos últimos 12 meses e de vez em quando choro, ao lembrar-me de algum momento em particular. No worries, pois quando assim acontece, sinto-me melhor, mais aliviada. O corpo quer agora um espacinho e um tempo para se libertar das tensões acumuladas, é só. Mas cedo recupera e pede boa disposição. Há dias, até bebi umas quantas caipirinhas e margaritas. Foi no meu café preferido, no espaço de uma semana, em duas ocasiões distintas. É isso, meus amigos: The girl is back in town. Apesar da vontade de hibernação. ;-)


Uma das músicas que mais prazer me deu dançar...



Votos de boa semana!

Monday, 16 October 2017

Nederlanders in Parijs



Nederlanders in Parijs no Museu Van Gogh, em Amesterdão.


Fomos ver esta exposição, na sua data de abertura, na passada sexta-feira, à noite, dia 13.

Uma noite de sorte, pois gostámos muito da exposição, que aconselhamos vivamente a quem tenha oportunidade de visitá-la (grátis com o cartão dos museus).

Está patente ao público até dia 7 de Janeiro de 2018, num renovado Museu Van Gogh (ainda não tinhamos lá estado após a remodelação).

Nesta exposição, podemos apreciar obras de Van Spaendonck (conhecido pelas suas naturezas-mortas), Jongkind (conhecido pelas suas pinturas marítimas e um dos percursores do Impressionismo), Van Gogh (pintor pós-impressionista), Van Dongen (conhecido como um dos representantes do Fauvismo) e Mondriaan (um pioneiro em Arte Abstracta), entre outros pintores neerlandeses, de diferentes épocas e movimentos artísticos, que viveram em Paris, durante largos anos, entre o final do século XVIII e o início do século XX.

Clicando aqui, podem visualizer alguns dos quadros desta exposição.

Geniet ervan! Enjoy!



PS: A complementar esta exposição, uma outra que queremos visitar, desta vez em Haia, intitulada The Dutch in Barbizon, que irá abrir ao público, no próximo dia 27, no Panorama Mesdag (que fica próximo da nossa embaixada).

NB:O jantar, no museu, foi acompanhado de música francesa. Muito agradável!




Sunday, 8 October 2017

Seja


Vá lá saber-se porquê, esta música não me sai da cabeça...
Talvez pela serenidade de espírito com que vim de Portugal, talvez desta moleza domingueira que me colhe, talvez porque tive a sorte de ouvi-la muitas vezes quando era novinha, talvez porque o meu pai viveu no Brasil uma década, talvez porque nunca fui lá e quero, talvez porque me sinta feliz e quero mais é que todos estejam bem...
Seja.

Thursday, 5 October 2017

874 anos! Parabéns, Portugal!


Há dias, estivemos em Portugal. Na nossa primeira noite lisboeta, logo após o jantar, fomos passear ao Chiado. No Largo do Teatro Nacional de São Carlos, tocava a Orquestra Ligeira do Exército. Boa surpresa! Sobretudo, porque um cantor que gostei muito, mas não fixei o nome, interpretou duas canções do Paulo de Carvalho que gosto imenso.

Servem estes apontamentos musicais para celebrar os 874 anos de Portugal. E nada melhor que através das Artes, onde nos destacamos tão bem, como a Música e a Poesia.

Bom, eu adoro a voz do Paulo de Carvalho e estas canções. Por isso, escusado será dizer que "cantei" estes temas a meu belo prazer, com um sorriso de orelha a orelha. Gostei mesmo muito do início destas nossas mini-férias em Portugal. Gosto imenso dos nossos músicos e dos nossos poetas.

PS: Uma das razões que me levou a optar por ir tomar os pequenos-almoços à Padaria Portuguesa foi exactamente essa, a Música: ele era "Os Putos" do Carlos do Carmo, ele era Jorge Palma, ele era António Variações, and so on...E eu no céu, logo pela manhã!

Esta, para mim, é uma delícia e uma ternura...




E esta, por ter sido um dos sinais para a Revolução de Abril, é, também, por isso, muito especial.
(Já disse que gosto imenso desta música, e da letra (do José Niza) e que amo a voz do Paulo de Carvalho? )






Um dia feliz para todos, pleno de vibrações positivas!




Wednesday, 20 September 2017

Surprise! Surprise!!



Hoje foi a inauguração das lojas de departamento Hudson's Bay em Almere ( no resto dos Países Baixos também). E não é que, inesperadamente, dou de caras com esta marca portuguesa? Fiquei tão contente!!

Monday, 18 September 2017

Katwijk aan Zee


Deste Verão de 2017, foram só 3 dias de Katwijk aan Zee...

Ficam as dunas suaves e o mar azul no olhar, na memória, na pele e no sorriso.

As fotografias foram tiradas por telemóvel.












Wednesday, 13 September 2017

Os céus nublados holandeses


Das nuvens. 
Eu gosto muito das nuvens deste país. 

Do Outono que já se faz sentir. 
Entre o antigo e o contemporâneo.




Amesterdão, 3 de Setembro de 2017








Almere, 09 de Setembro de 2017






NB: Fotografias tiradas com telemóvel.


Monday, 4 September 2017

Em Leiden



No dia do aniversário do meu marido, fomos até Leiden, uma cidade que aprendi a conhecer pelas mãos da Agnes (através das sugestões que ela aqui deixou no blogue) A Agnes é uma compatriota nossa a viver em Oxford e cujo blogue recomendo muitíssimo (boa escrita, lindas fotografias, itinerários interessantes e observações úteis).


Leiden, que fica próxima de Haia, é, actualmente, uma das minhas cidades holandesas preferidas. Gosto dos bares de jazz e dos muros de poesia, onde também figuram poetas de Língua Portuguesa. E das galerias de Arte, inovadoras, onde encontramos também joalharia, bijuteria e acessórios de materiais variados, feitos à mãoUma cidade cheia de vida, com muitas esplanadas junto aos canais. E que, de certa forma, devido à presença dos estudantes da sua famosa Universidade, fundada em 1575, por William de Orange (o princípe que liderou a revolta contra o domínio espanhol (Habsburgos) nos Países Baixos, no século XVI), me lembra Coimbra. Ou Aveiro, pelos canais e as pontes e, sobretudo, pelo seu carácter acolhedor e luminoso.








O rico património arquitectónico da cidade encontra-se muito bem preservado.




Um dos muros de poesia...



Da Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948), num dos muros da cidade. Neste caso, o Artigo 1.




Não deixei de achar curioso que o acaso do passeio a pé nos tivesse levado até este muro, tendo em conta os tempos que vivemos.

E, por isso, porque nunca é demais recordar, deixo-vos com este video.




Votos de boa semana!

NB: As fotografias foram tiradas com telemóvel.

Saturday, 2 September 2017

Voltas por aí ao longo deste ano


Não foram muitas. E todas aqui próximo e de curta duração.


AGOSTO


ALMERE

Junto ao restaurante Gasterij Oostvaarders, na Reserva Natural de Oostvaardersplassen.






JULHO


ROTERDÃO

Junto ao porto, quando fomos ver a  exposição "Genesis" de Sebastião Salgado, ao Nederlands Fotomuseum.





AMESTERDÃO

Churchilllaan (Avenida Churchill), na Rivierenbuurt, que fica próxima 

do Café Nata Lisboa e
 da casa onde a Família de Anne Frank viveu entre 1933 e 1942 .





JUNHO


WEESP

Situada entre Amesterdão e Almere. É um dos meus locais favoritos para dar caminhadas no Verão. Este ano, só fomos uma vez, e no entanto, é aqui tão perto..

Um dos meus restaurantes favoritos, o Weesperplein, fica próximo deste canal. Gostamos muito de jantar no quintal do restaurante, pois é muito acolhedor...






MARÇO


LEIDEN

Junto ao Volkenkundemuseum, as sakuras ou cerejeiras relativas à exposição "Cool Japan".
Desta vez, o passeio foi com uma amiga.
No mês passado, fomos os dois para ver a exposição, mas as sakuras já não estavam assim, claro.
Brevemente, mais fotografias sobre Leiden.





NB: Todas as fotografias foram tiradas com telemóvel.



Bom fim-de-semana!




Thursday, 31 August 2017

Flores e Visitas


E para terminar bem o mês, escolhi flores...

Nos Países Baixos, oferecer e receber flores é prática comum. Se vamos a uma festa de aniversário, visitar um amigo ou jantar a casa dele, levamos flores. Estas foram-me oferecidas já em casa, após o meu primeiro internamento. Não recebi muitas, pois, à época, limitei as visitas, uma vez que estava muito cansada devido à complexidade da cirurgia e aos efeitos da anestesia com que fiquei ainda uns dias (eu precisava mesmo de dormir e descansar). Assim, nunca tive mais do que uma visita de cada vez e em dias intercalados e só daqueles com quem convivo mais. Ninguém estranhou (ou levou a mal) e notei que é algo perfeitamente compreendido e respeitado por aqui. Mas gostei imenso das flores que recebi, claro! Ei-las aqui:


















No Hospital, pedi que não me levassem flores. Em contrapartida, recebi revistas (boa!, embora a energia para ler não fosse muita, a beleza das imagens já ajudava), blocos de notas ( que me deram imenso jeito nas conversas diárias com os médicos e as enfermeiras), uma garrafa de vinho (que abrimos semanas mais tarde para comemorar) e chás e produtos de beleza da Rituals, que só usei semanas depois, mas gostei imenso por me lembrarem que ainda podia ficar bonita, apesar do meu ar cansado e abatido e do cheiro da anestesia que me saia pelos poros.

Entretanto, também recebi cartões a desejar as melhoras, algo muito comum por cá, onde há postais para todas as situações e mais algumas. Depois, mostro. 


Bom fim-de-semana!

Wednesday, 30 August 2017

Da janela do hospital


Às vezes, encontramos a beleza nos locais e momentos mais inesperados.

Da janela do último quarto onde fiquei no hospital, nuvens e gaivotas.

Tive sempre a sorte de ficar junto à janela. Mas, só neste dia, fotografei.





Esta gaivota visitava-me muitas vezes ao longo do dia. Não sei se a fazer jus às 5 horas diárias permitidas de visita ...;-))




Gosto quando o Universo me envia momentos como estes. Muitas vezes, quando mais preciso.


Monday, 28 August 2017

Gaivotas, Mar, Cães, Tabouleh e Dickens


O sol da manhã, que já ia alto, sussurrava "praia" ao meu ouvido. E eu, que gosto de sussurros, escutei com muita atenção. Foi assim, que, no sábado, logo após o almoço, rumámos à nossa praia holandesa de sempre, Katwijk aan Zee. A areia fina que me lembra ampulhetas, as dunas que nos protegem num abraço, o sossego maior daquele recanto de praia em frente ao restaurante Het Wantveld (se clicarem neste link, podem ver algumas imagens panorâmicas), onde, assim que chego, páro sempre para o espresso, o sumo de laranja natural e o típico croquete de carne holandês. Gosto destes hábitos "de sempre". Sou muito felina nos meus rituais e nos meus amores. Sei onde são as minhas casas e os meus recantos. 

Um dos aspectos que mais aprecio, ao chegar ao Het Wantveld, é o cuidado com os animais. Há sempre taças com água para os cães. Na renovada "ladeira", a caminho da praia, contei mais de uma dúzia de canídeos. Há muitas pessoas com cães por aqui (às vezes, até mais que um), e muitos restaurantes preparados para receber os fiéis amigos. 

Já na praia, estendidos nas nossas toalhas (a minha rosa, a dele azul), gosto do cirandar das gaivotas ao nosso redor e dos vôos rasantes com que nos brindam, aqui e ali. Desta vez, fizeram-me uma surpresa no mar. Ao caminhar pelo ritmo quieto do dia daquelas águas do Mar do Norte,  vi, um pouco mais adiante, duas gaivotas sentadas naquela planície líquida, uma à minha esquerda, outra à minha direita. Fizeram-me sentir uma princesa, à medida que me aproximava. Parecia que o Universo (ou Deus) me dava as boas vindas naquele regresso ao Mar, que, até há bem pouco tempo, durante este Verão, me esteve vedado. Acabei ladeada por elas. Não, não partiram à minha chegada. Muito pelo contrário, quedaram-se por ali. E pareceu-me, que a sorrir.

Ontem, já não fui à água. Fiquei-me pelo areal, a sentir o sol na minha pele e a ler o "Passaporte", desta vez o capítulo sobre as visitas à Inglaterra literária, o mesmo será dizer, à casa de alguns escritores britânicos, como por exemplo, a de Charles Dickens, que gostaria muito, um dia destes, de conhecer.

E se, ontem, no final da tarde, o regresso foi directo a casa, no sábado, ainda parámos em Amesterdão e fomos jantar ao nosso restaurante de sempre. Falo do Bazar, uma antiga sinagoga convertida em restaurante islâmico. Gostamos muito do Bizar Bazar de carne, com ensopado de borrego e tabouleh (uma salada libanesa). E mais uma vez, ali também, havia taças com água para os cães.


Votos de boa semana para todos!


"A visita à casa dos nossos escritores preferidos constitui uma maneira original de se passar férias. Depois de termos lido as obras, todas as suas obras, a deambulação tem qualquer coisa de mágico. É doce olhar a caneta com que ele escreveu, ver a cadeira onde se sentou, observar o que se vislumbra da janela do seu escritório. Escolhi para meu primeiro passeio, a casa de Charles Dickens, em Londres."

Maria Filomena Mónica, in Passaporte, 2009, página 149



Friday, 25 August 2017

Gostar de estar de volta


Gosto do silêncio das manhãs que ecoa pelas ruas do bairro, enquanto caminho em direcção ao ginásio. Gosto de sorrir às macieiras dos vizinhos, já perto do cruzamento. 

Gosto de inspirar e expirar pelo nariz durante a sessão de Yoga. Gosto das almofadas de alfazema que o C. nos empresta para colocar sobre os olhos durante os 15 minutos seguintes de Meditação. Gosto da paz e da serenidade que sinto depois do Yoga. Gosto dos exercícios e do ritmo que a I. escolhe para nós. Gosto do cuidado da I. com os exercícios para melhorar o equilíbrio (tinha-lhe dito das recomendações da minha médica).

Gosto de estar de volta ao Fitness, mas, desta vez, só com exercícios de resistência e não de pesos. A S. tem sido muito atenciosa e já noto mais massa muscular. Muito tempo deitada deixou-me balofa.

Gosto de voltar a experimentar coisas novas. Diverti-me imenso na minha primeira aula de Salsa. Gosto de rir e as minhas colegas também. Quando me perguntaram, antes de iniciar a dança, se era o homem ou a mulher, respondi que não tinha a certeza:"I'm not sure. But don't tell to my husband".  Gostei dos risos seguintes. And so on...Mas já percebi que tenho de diminuir o ritmo.  Vou ter de ir  mais devagar com a Salsa. :-(

Gostei de voltar ao cinema. Há mais de um ano que não ia, pois custava-me estar sentada durante tanto tempo. Gostei quando a Y. me disse que tinha visualizado aquele momento juntas. E para ambas era uma nova sala, uma estreia. Gosto também que tenhamos combinado de nos encontrarmos, junto com os nossos respectivos, no Almere Haven Festival para os concertos de música clássica.

Gostei de voltar à praia. Foi dos regressos que mais me emocionou (foi-me interdito durante 7 semanas pelos médicos, período que coincidiu com o Verão). Gostei de me estender na areia, a ler o "Passaporte", de Maria Filomena Mónica, enviado pela querida MR. Soube tão bem!...

Ainda não fui à água, que estava gelada, mas estava autorizada, se quisesse. Estava tão feliz, que, por segundos, esqueci-me que estava na praia e com crianças ali perto, e fui mais atrevida com o meu marido. Ninguém deu por nada, que fui imediatamente alertada por ele (risos). Enfim, devia ter ido à água, eu sei...;-))

Tenho gostado de voltar a vestir saias, vestidos e calções. E gozar as perninhas ao léu. A parafernália que tinha agregada ao meu corpo não permitia. Como diria o meu vizinho M., numa das nossas conversas de passeio, "Er zijn de kleine dingen", ou seja, são as pequenas coisas que nos fazem mais falta e nos deixam mais felizes, como poder vestir uma simples saia ou um vestido.

Gostei da primeira vez que voltei a Amsterdam, sozinha e com o objectivo de me divertir. Senti-me uma miúda crescida. Já não precisava de companhia e, desta vez, não era para ir ao hospital. Gostei de voltar a sentar-me na minha esplanada favorita de sempre, a do Amsterdam Historisch Museum (hoje chamado Museu da Cidade), a ler o "Passaporte". E ter passado antes, pela igreja de São Pedro e São Paulo, na Kalverstraatpara agradecer a minha recuperação. E ainda antes, ter ido ao Bijenkorf, comprar dois casacos compridos da Benetton que estavam com um desconto muito bom e me assentam muito bem. E, já no final da tarde, no Café Cobra, na Museumplein (a Praça dos Museus), ter oferecido dois DVD's de um documentário, a um casal de portugueses a viver na capital. Porque era o que fazia sentido. Porque a energia tem de continuar a fluir.

Foi no dia 13 de Julho, que fui libertada da parafernália (costumo dizer que foi o dia em que recebi a minha carta de alforria). E no dia 14, exactamente quando se comemora a Revolução Francesa, gozei o meu primeiro dia de Liberdade de facto . Estava livre para recomeçar. Passo a passo. Hoje uma tarefa, amanhã outra. E, agora, praticamente, já consigo fazer tudo em casa e até já cuidei do quintal. Desta vez, não pintei a vedação (veio cá um senhor para isso), nem lavei as lajes do chão com a máquina de pressão, mas arranquei as ervas, que estavam muito altas devido às chuvas. Fiz mais devagar e em mais dias, mas consegui.

Gostei muito de falar com a minha médica no passado dia 8. Fez-me muito, muito bem. Falámos sobre a minha história também. Coisas que nunca contei aqui. Senti-me outra, uma pessoa mais forte, livre. Ela, quando me veio buscar à sala de espera, já me tinha achado bem: " You look good!". Gostei de lhe sorrir de volta. Acho que este ano resolvi muitas coisas na minha cabeça. Coloquei muitos pontos nos "is" em histórias tóxicas antigas e isso fez-me bem.

Há dois dias, também gostei dos "Buenos dias!" inesperados da N., a assistente da minha médica, que é uma brincalhona e muito positiva. Despedimo-nos com um "Até amanhã", em português, para um encontro, que depois não foi necessário.

Hoje, por aqui, "me quedo". ;-)

Por agora, deixo-vos com uma canção que gosto muito, da novela brasileira "Salsa e Merengue", e que me traz sempre à memória, os hilários diálogos entre a personagem Teodora (Débora Bloch) e a criada, que ela chamava de Sexta-feira (alcunha inspirada no livro "Robinson Crusoé"), interpretada pela saudosa actriz Maria Mazan.

Ah! E gosto do futuro, das coisas que já combinámos e planeámos...

Bom fim-de-semana!





Thursday, 17 August 2017

Red Hill Mining Town


Uma das minhas favoritas dos  U2 e do álbum Joshua Tree...
Gosto da música, da letra, da voz...




Deixo também o video do dia 29.




Vejam qual gostam mais.

Red Hill Mining Town

 "is a song by the rock band U2. It is the sixth track from their 1987 album, The Joshua Tree. A rough version of this song was worked on during the early Joshua Tree album writing sessions in 1985. The focus of the song is on the National Union of Mineworkers1984 strike in Great Britain that occurred in response to the National Coal Board's campaign to close uneconomic mines." (Wikipedia, 17.08.2017)

From father to son 
The blood runs thin 
See faces frozen still 
Against the wind 


The seam is split 
The coal face cracked 
The lines are long 
There's no going back 
Through hands of steel 
And heart of stone 
Our labor day 
Has come and gone


Yeah you leave me holding on 
In Red Hill town 
See lights go down, I'm 

Hanging on 
You're all that's left to hold on to 
I'm still waiting 
I'm hanging on 
You're all that's left to hold on to

The glass is cut 
The bottle run dry 
Our love runs cold 
In the caverns of the night 
We're wounded by fear 
Injured in doubt 
I can lose myself 
You I can't live without 


Yeah you keep me holding on 
In Red Hill town 
See the lights go down on 
I'm hanging on 
You're all that's left to hold on to 
I'm still waiting 
Hanging on 
You're all that's left to hold on to, on to


We'll scorch the earth 
Set fire to the sky 
We stoop so low, to reach so high 
A link is lost 
The chain undone 
We wait all day 
For night to come 
And it comes 
Like a hunter child 

I'm hanging on 
You're all that's left to hold on to 
I'm still waiting 
I'm hanging on 
You're all that's left to hold on to 

Love, slowly stripped away 
Love, has seen its better day 

Hanging on 
The lights go out on 
Red Hill  Town
The lights go down on 
Red Hill Town
Lights go down on 
Red Hill town 
The lights go down on 
Red Hill town

Wednesday, 16 August 2017

U2 no Arena em Amsterdam


U2
Concerto pelos 30 anos de Joshua Tree
Arena (estádio), Amsterdam
30.07. 2017




Foi a nossa primeira ida ao Arena e gostámos muito do estádio: moderno, confortável, limpo e organizado. A entrada foi muito rápida e fácil, uma vez que preferimos ir só ao concerto do grupo que nos levava até ali e não assistirmos ao do cantor que fez a primeira parte do espectáculo. Já no interior do estádio, subimos umas escadas rolantes para o nosso destino. Lá chegados, fomos até ao bar e bebemos um prosecco com toda a tranquilidade. Só depois, fui comprar um pacote de batatas fritas e uma garrafa de água. As nossa cadeiras ficavam junto ao corredor e a poucos segundos da porta e do bar.




O meu marido disse-me que foi uma vitória minha estarmos ali. Minha, dele e dos médicos e enfermeiros que me acompanharam, acrescentei.





Ainda me lembro quando perguntei à minha médica, estava eu de cadeira de rodas e cateter e mal podia dar dois passos, se ela achava que poderia ir ao concerto dos U2, no final de Julho. Conforme a médica me lembrou muito bem, não sabíamos ainda se eu iria precisar de fazer nova cirurgia daí a 3 meses, mas que era bom ter objectivos.





Agarrei-me a esta frase, a cirurgia não foi necessária (mas quase foi) e fui ao concerto. Esta conversa teve lugar num momento em que ainda não sabíamos que eu estava com outro problema que levaria ao adiar da possível cirurgia para Outubro.




Ao longo do concerto dos U2, após largos meses de vida "monástica" (contam-se pelos dedos das mãos, as vezes que saí desde Dezembro último para me divertir e passear), festejava tudo: poder estar sentada (muito doloroso antes da cirurgia e daí ter viajado pouco de carro), poder estar de pé, levantar, caminhar, estar sem dores, sem drenos ou cateteres, estar cá fora e não no hospital ou em casa, obrigada pelas circunstâncias. Anyway, apesar de ter tido necessidade de me sentar algumas vezes, GOSTEI MUITO do concerto e o Anton Corbijn está de parabéns pelos efeitos visuais criados.




E foi bom reviver e cantar temas tão bons e tão bem escritos, com os quais cresci e me fiz adulta. Letras que nos falam de temas sociais e trazem a História até nós, seja a do Movimento Solidariedade na Polónia no início dos anos 80, seja a situação política em El Salvador ou a situação dos mineiros no Reino Unido, na mesma época, ou a ode a Martin Luther King e a homenagem às Mães de filhos desaparecidos por motivos políticos.

Do final do concerto:
um bocadinho do tema Miss Sarajevo, desta vez com a imagem de uma jovem refugiada síria.




Mas não foi só o álbum Joshua Tree que passou por ali. Foi a história dos U2, nas suas canções antes e depois do álbum da sua consagração. Toda uma vida. Que também, de certa forma, era a nossa, de quem ali estava. E cantava.




As fotografias  e os videos foram feitos pelo meu marido com o telemóvel, a partir da bancada onde ficámos.