Monday, 4 December 2017

Parabéns à A. e ao M.!



Ele há jantares assim, entre amigos, feitos de alegrias e descoberta de coincidências, de tempos estendidos e risos partilhados, de afinidades curiosas e de prazer suave, mas intenso, no tempo, com a energia contagiante das gargalhadas que se sucedem e dos temas que surgem e saltam em cadência, sem ter fim. Terminamos porque há uma viagem de regresso de uma hora para fazer e amanhã é dia de semana. Mas saímos, como se a interrupção nunca tivesse acontecido e fosse só um "Até já!", ou um "Vou ali e já volto".

É bom estar com quem gostamos.

É bom conhecer o novo rebento dos amigos e ver como dorme e come tão bem.

É bom trazer o presente de Natal (decorações natalícias para o quarto do bebé) quando a Mãe já tinha pensado em comprar algumas, e ouvi-la dizer que a prece dela foi atendida, quando abriu o saquinho a desejar Bom Ano.

É bom ver o ar deliciado da Mãe perante o presente de nascimento do bebé e o ar de surpresa ao presente que se levou para ela ( eu incluo sempre um presente para a mamã).

É bom ver o video de casamento na Indonésia, e nele a elegância dos vestidos confeccionados pela mãe da noiva, o bolo tão bonito confeccionado pela tia, as fotografias e o video feitos pelos amigos, ou a surpresa que a noiva preparou para o marido, ao actuar, por momentos, como maestrina da orquestra contratada.

É bom vê-los a partilhar o bolo, como também se faz na India e já contei aqui.

É bom falar sobre o Maestro Ennio Morricone e o filme A Missão. É bom contar do concerto em Lisboa e de como os jesuítas portugueses utilizaram a música para se aproximar dos indios brasileiros.

É bom ver como a nossa amiga e a mãe dela se emocionam ao escutar Mariza, a cantar Gente da Minha Terra, junto à Torre de Belém, em Lisboa.

É bom também falar de pintura e ver fotografias dos quadros da A.

É bom conhecer os seus gestos de generosidade e a forma como os portugueses têm entrado na sua vida.

É bom ficar para jantar, sem estarmos previamente a contar com isso, e ficarmos na conversa, enquanto o M. e a sogra saem discretamente para preparar a refeição.

É bom descobrir que os amigos que entretanto chegaram para o lanche ficam para jantar também. Amigos que não conhecíamos previamente, e se revelam boa onda, interessados e bem-dispostos. É bom descobrir afinidades com recém-conhecidos como o gosto pela fotografia.

É bom ver como a nossa amiga está tão bonita, elegante e bem-disposta, apesar das dificuldades que passou.

É bom partilhar as nossas histórias, falar das conspirações do Universo, e de santos irlandeses e portugueses.

É bom saber que os indonésios gostam dos portugueses e com eles sentem mais afinidades, como na Ilha das Flores.

É bom partilhar tradicões antigas, como aquela que diz que na Indonésia, dois irmãos não devem casar no mesmo ano e o mais novo antes do mais velho. É bom saber que há uma escapatória a esta segunda tradição, desde que o mais novo vá dando presentes ao mais velho (por exemplo, peças em vermelho), de modo a poder casar antes e "garantindo" assim, ao mesmo tempo, que o mais velho não irá ficar solteiro ( assim reza a crença).

E por fim, é bom trazer para casa um presente feito por ela: uma garrafa daquele sumo que ela me deu a conhecer e faz tão bem à saúde, e que eu já tinha comentado cá em casa que estava a precisar.

É bom estar convosco, A. e M.

Parabéns pelo vosso aniversário de casamento, pelo aniversário do M. e o nascimento do A. !

Votos de um Feliz Natal!




Saturday, 2 December 2017

Zé Pedro


Zé Pedro ( 14 de Setembro de 1956-30 de Novembro de 2017)

Fundador da banda rock Xutos & Pontapés

Hoje, foi o teu funeral. Estou tão triste. E, no entanto, quando me lembro de ti, vem-me à memória aquela miúda de 16 anos que, em 1987, saltava ao som do Circo de Feras, e cantava ( mal, mas a vivos pulmões) Não Sou o Único.

Contigo saltei também com os Contentores e emocionei-me Para Sempre com o Homem do Leme.

Em Portugal, pouco antes de vir para a Holanda, ainda assisti ao espectáculo Sexta-Feira 13, encenado por outro marco da minha vida, o actor e humorista António Feio (1954-2010). Um espectáculo, no Toyota Box, que teve como base  as músicas dos Xutos, que também são as nossas, despudoradamente. E foi como sempre: voltei a pular, a cantar e a emocionar-me outra vez.

Vou sentir falta do teu sorriso, da tua amabilidade, do teu sentido de humor, da tua generosidade na música e na Vida, das tuas brincadeiras em palco, da tua coragem perante os problemas, da forma como te desafiavas a ti mesmo e não te entregavas às dificuldades. Deixas um exemplo, essa força maior.

Entristeci quando soube dos teus problemas de saúde, fiquei orgulhosa quando perante os mesmos mostraste coragem, e feliz quando encontraste o Amor ao lado da Cristina Avides Moreira.

Fizeste-me pular e dançar bastante, meu querido, desdes os tempos do Liceu até hoje, quando danço em frente ao espelho do meu quarto. Fica, Para Sempre, essa imensa alegria. E o teu eterno sorriso.

Obrigado por tudo e por tanto. Tenho tanta pena que tenhas partido. Descansa em Paz.

Numa próxima ida a Portugal, a ver se compro o livro que a tua irmã escreveu sobre ti.

Deixas saudades, sabias?






Sozinho na noite 
Um barco ruma para onde vai. 
Uma luz no escuro brilha a direito 
Ofusca as demais 

E mais que uma onda, mais que uma maré
Tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade
Vai quem já nada teme, vai o homem do leme

E uma vontade de rir, nasce do fundo do ser
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir
A vida é sempre a perder

 No fundo do mar
Jazem os outros, os que lá ficaram
Em dias cinzentos
Descanso eterno lá encontraram

E mais que uma onda, mais que uma maré 
Tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade 
Vai quem já nada teme, vai o homem do leme 

E uma vontade de rir, nasce do fundo do ser 
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir 
A vida é sempre a perder 

No fundo horizonte 
Sopra o murmúrio para onde vai 
No fundo do tempo 
Foge o futuro, é tarde demais

Fica a entrevista que a tua amiga de infância, a jornalista Ana Sousa Dias, te fez.




E uma canção do teu grande amigo Jorge Palma, que eu tanto admiro e gosto.


 


Friday, 24 November 2017

Loving Vincent



Um filme que é em si mesmo uma obra-prima.

Vimos esta noite, na biblioteca, com um casal amigo.



Um carta que acaba por conduzir à procura dos acontecimentos que levaram à morte de Vincent van Gogh, a 29 de Julho de 1890, em Auvers-sur-Oise...

As personagens principais...

Vincent van Gogh ( o pintor)

Theo van Gogh ( art dealer e  irmão do pintor. Theo financiou Vincent e era muito seu amigo)

Père Tanguy ( art dealer, que vendia quadros de Van Gogh e também foi pintado por ele)

Marguerite Gachet ( a filha do médico homeopata que o tratava e que Van Gogh pintou por diversas vezes)

A família Roulin , com destaque para Armand Roulin e Joseph Roulin (amigos do pintor, residentes em Arles, e também pintados por Vincent)

Adeline Ravoux ( filha dos donos do Auberge Ravoux,  em Auvers-sur-Oise, hoje conhecido como a Casa de Van Gogh, por o pintor ter vivido lá nos últimos 70 dias da sua vida; Adeline também foi pintada por Vincent).


Happy


Muito obrigada a todos pelas mensagens de Feliz Aniversário que me fizeram chegar,  bem como pelos postais carinhosos e lindos presentes.

Estes dias foram muito bons. Queríamos e precisávamos mesmo de descansar. Verdadeiramente, sem obrigações.

Um grande beijinho e forte abraço!



Tuesday, 7 November 2017

Sobre um fotógrafo holandês



Gert Jan Hermus por João Menéres.

Site do fotógrafo: https://gertjanhermus.nl/

Fotografia de Rua por Gert Jan Hermus




The girl is back in town


O sol vai alto e morno no céu, nestas manhãs mais luminosas que se desvanecem em tardes cinzentas e frias, e que abrigo já, em meias opacas e nos casacos compridos favoritos de sempre. O corpo tem andado sonolento, mole, naquela fase em que me sinto como um urso a querer hibernação. Às vezes, as pálpebras quase fecham sobre os livros de holandês (voltei aos estudos, desta vez na Volksuniversiteit). Arrebito mais, quando chega a minha vez de ler em voz alta, no Clube de Leitura, pois gosto de dar vida às personagens. Mas nada de preocupações: o corpo está bem e recomenda-se. Isto é mesmo só do tempo. No Fitness, aumentámos as intensidades e o número de máquinas. E o Yoga continua a deixar-me nas nuvens. Desde o dia 19 de Outubro, que não tenho uma única dor ou moinha. A médica, no passado dia 2, ficou satisfeitíssima com os resultados do exame e até me mostrou os gráficos. Agora era aproveitar, pois já não iria necessitar de nova cirurgia, como receávamos. Ao ver o seu entusiasmo, disse--lhe que tinha ido dançar temas dos anos 70 e 80, ao meu café preferido da cidade, e que tinha corrido tudo bem (zero dores na zona onde o dreno esteve localizado tantas longas semanas). E acrescentei que tinha andado a comprar saias. Porque já as posso vestir. E um par de sapatos para um casamento a que vamos em breve. Entretanto, dias depois da consulta, um convite para almoçar na estação central de Utreque, agora totalmente remodelada e com uma loja da marca portuguesa Parfois. Bem giro, o novo centro comercial. Ainda hei-de voltar esta semana com uma amiga, com quem é um prazer estar e me rio muito. E acolhe os meus choros, quando necessário também. Ando numa fase de libertação do que vivi ao longo dos últimos 12 meses e de vez em quando choro, ao lembrar-me de algum momento em particular. No worries, pois quando assim acontece, sinto-me melhor, mais aliviada. O corpo quer agora um espacinho e um tempo para se libertar das tensões acumuladas, é só. Mas cedo recupera e pede boa disposição. Há dias, até bebi umas quantas caipirinhas e margaritas. Foi no meu café preferido, no espaço de uma semana, em duas ocasiões distintas. É isso, meus amigos: The girl is back in town. Apesar da vontade de hibernação. ;-)


Uma das músicas que mais prazer me deu dançar...



Votos de boa semana!

Monday, 16 October 2017

Nederlanders in Parijs



Nederlanders in Parijs no Museu Van Gogh, em Amesterdão.


Fomos ver esta exposição, na sua data de abertura, na passada sexta-feira, à noite, dia 13.

Uma noite de sorte, pois gostámos muito da exposição, que aconselhamos vivamente a quem tenha oportunidade de visitá-la (grátis com o cartão dos museus).

Está patente ao público até dia 7 de Janeiro de 2018, num renovado Museu Van Gogh (ainda não tinhamos lá estado após a remodelação).

Nesta exposição, podemos apreciar obras de Van Spaendonck (conhecido pelas suas naturezas-mortas), Jongkind (conhecido pelas suas pinturas marítimas e um dos percursores do Impressionismo), Van Gogh (pintor pós-impressionista), Van Dongen (conhecido como um dos representantes do Fauvismo) e Mondriaan (um pioneiro em Arte Abstracta), entre outros pintores neerlandeses, de diferentes épocas e movimentos artísticos, que viveram em Paris, durante largos anos, entre o final do século XVIII e o início do século XX.

Clicando aqui, podem visualizer alguns dos quadros desta exposição.

Geniet ervan! Enjoy!



PS: A complementar esta exposição, uma outra que queremos visitar, desta vez em Haia, intitulada The Dutch in Barbizon, que irá abrir ao público, no próximo dia 27, no Panorama Mesdag (que fica próximo da nossa embaixada).

NB:O jantar, no museu, foi acompanhado de música francesa. Muito agradável!